Relação com chefia e colegas
A reunião que tira o sono na véspera. O colega cuja presença muda o seu humor. A dificuldade de discordar de quem está acima — ou de sustentar a discordância depois de ter tido a coragem de dizê-la.
Psicoterapia individual
É o terceiro emprego. A empresa é outra, a chefia é outra, o setor é outro. E, seis meses depois, você está exatamente no mesmo lugar — com a mesma sensação, o mesmo tipo de conflito e a mesma dúvida sobre se o problema é o ambiente ou é você.
Atendemos questões da vida profissional em psicoterapia individual: relação com chefia e colegas, direcionamento de carreira, dificuldade de decidir, planejamento, ritmo e transições. Com Terapia do Esquema e TCC, on-line para todo o Brasil e presencialmente na Asa Sul, em Brasília.
Há problemas profissionais que são exatamente o que parecem: uma gestão ruim, uma empresa disfuncional, um cargo que não cabe mais. Trocar de lugar resolve, e é isso que se deve fazer.
Mas há outra categoria, e ela se reconhece por um sinal: a situação muda e a experiência não. Muda a empresa e volta o mesmo tipo de chefe. Muda a equipe e volta o mesmo desconforto. Muda o cargo e volta a mesma sensação de não estar dando conta — inclusive depois de uma promoção que confirmava o contrário.
Quando o cenário muda e o enredo se repete, o que se repete não é o cenário.
Isso não significa que a culpa seja sua — significa que existe um padrão seu operando ali, e padrão é justamente o que a psicoterapia sabe tratar. A boa notícia dessa constatação é a mesma de sempre: o que é seu, você pode mudar. O chefe, não.
Quase nunca a pessoa chega dizendo "tenho uma questão profissional". Chega dizendo uma destas coisas.
A reunião que tira o sono na véspera. O colega cuja presença muda o seu humor. A dificuldade de discordar de quem está acima — ou de sustentar a discordância depois de ter tido a coragem de dizê-la.
Não saber se continua, se muda de área ou se recomeça. Às vezes, a percepção incômoda de que a carreira foi escolhida por outra pessoa — um pai, uma expectativa, uma época — e nunca foi revista.
Decisões que ficam meses em aberto, revisitadas todo dia sem avançar. Ou o oposto: decidir depressa demais para não ter que suportar a dúvida. Nos dois casos, o custo é alto e invisível.
O projeto que não sai do lugar, a procrastinação em quem é reconhecidamente competente, o plano refeito tantas vezes que nunca começa. Raramente é falta de método — quem chega aqui já tentou todos.
Trabalhar num ritmo que você mesmo reconhece como insustentável, e não conseguir reduzir. Férias que não descansam, fim de semana que não desliga, e a sensação de que parar tem um custo que você não sabe nomear.
Promoção, mudança de área, saída, negócio próprio, aposentadoria. Momentos que mexem na identidade e não só na agenda — e que costumam vir com um vazio que surpreende justamente quem conseguiu o que queria.
Existe um motivo estrutural para tantas questões emocionais aparecerem justamente ali, e ele quase nunca é dito: o trabalho reproduz a arquitetura da primeira relação de autoridade da vida.
Há alguém acima de você, que avalia. Há aprovação e reprovação. Há dependência real — do salário, da estabilidade, do reconhecimento. Há regras que você não escreveu e pessoas que você não escolheu. É, em muitos aspectos, a estrutura de uma família, reencenada por adultos com crachá.
Some-se a isso o volume: trabalho ocupa a maior parte das horas acordadas da vida adulta. Se existe um padrão emocional seu, é altamente provável que ele apareça ali — e apareça com frequência suficiente para que você o note.
É por isso que, na clínica, uma questão trazida como profissional com frequência abre uma porta para algo mais antigo. Não porque o problema no trabalho seja falso, mas porque ele é onde o padrão ficou visível.
A estrutura descrita acima existe em qualquer trabalho. Mas há ambientes em que ela aparece com mais força — porque a responsabilidade é alta, a exposição é grande e a margem para demonstrar fragilidade é pequena.
O plantão que não deixa espaço para processar o que aconteceu dentro dele. A perda de um paciente seguida da consulta das 14h. A cobrança de estar bem para cuidar de quem não está — e a suspeita de que pedir ajuda seria admitir que você não deveria estar ali.
O prazo que não negocia com a sua semana. O cliente que liga no domingo e a dificuldade de dizer que domingo não. A obrigação de sustentar convicção em público mesmo quando, por dentro, ela não está inteira. Em escritório, a estrutura societária, onde a avaliação nunca termina e discordar de quem está acima tem custo concreto.
Decidir sobre a vida de outras pessoas sem ter com quem dividir a decisão. A solidão específica de quem não pode demonstrar dúvida nem para a equipe nem para o conselho. E o resultado do trimestre virando medida do seu valor pessoal, não apenas do seu trabalho.
Trabalhar sob mudanças de gestão que você não controla. Assinar decisões que podem ser questionadas anos depois. A exposição de um cargo público somada à impossibilidade de comentar publicamente o que se passa nele.
O que essas situações têm em comum não é a profissão — é a combinação de responsabilidade alta, exposição e pouca margem para demonstrar fragilidade. Isso não cria uma questão psicológica nova: cria um ambiente onde padrões antigos aparecem com mais força e onde pedir ajuda custa mais caro. Por isso este texto descreve situações, e não perfis. O que se trabalha é o padrão, não o crachá.
A Terapia do Esquema trabalha com padrões emocionais formados na infância — os esquemas desadaptativos precoces — que seguem operando na vida adulta. Alguns deles têm expressão particularmente clara no ambiente de trabalho:
Entregar o controle para evitar conflito. Aparece como incapacidade de discordar da chefia, de negociar salário, de dizer que o prazo é inviável. Com o tempo, a pessoa deixa de saber o que queria — só sabe o que foi pedido.
A autoestima construída sobre o reconhecimento externo. Um elogio sustenta a semana; um silêncio a derruba. É também o esquema que faz alguém aceitar uma promoção que não quer, porque recusar seria decepcionar.
A exigência de que tudo seja impecável, sem espaço para descanso. Está por trás de boa parte do perfeccionismo, da revisão infinita e da dificuldade de entregar algo "bom o suficiente" — e, com frequência, também do ritmo que não cede.
A convicção de ser fundamentalmente menos capaz que os pares, mesmo diante de evidência objetiva em contrário. É o que faz uma promoção aumentar o medo em vez da confiança: agora tem mais gente para descobrir.
Assumir o que é dos outros para não sentir culpa. Aparece na pessoa que sempre pega o plantão que ninguém quer, cobre a equipe inteira e depois se ressente sem conseguir dizer por quê.
Identidade construída a partir da expectativa de outra pessoa. É onde costuma estar a carreira escolhida para agradar — e a dificuldade de responder "o que eu quero?" quando a pergunta finalmente é feita.
Raramente aparece um esquema sozinho. É mais comum que dois ou três se combinem — e a combinação explica melhor a situação do que qualquer um deles isolado.
A reunião de terça, a conversa que não aconteceu, a decisão travada há três meses. Nada de abstração: o material é o que está acontecendo na sua semana.
Quando isso apareceu pela primeira vez? Em que outros lugares aparece — em casa, nas amizades, em empregos anteriores? Essa pergunta costuma ser o momento em que a conversa muda de nível.
Quando a raiz é antiga, entendimento não basta — por isso usamos técnicas vivenciais, com imagens mentais e diálogos entre partes do self. É o que alcança o que a pessoa sente como verdadeiro, e não apenas o que ela pensa.
Sustentar um limite com a chefia. Tomar a decisão adiada. Reduzir o ritmo e tolerar o desconforto que vem junto. Entender sem mudar não serve — e mudar sem entender não dura.
Sobre horários: atendemos das 7h às 20h. Isso inclui horários no início da manhã e no fim do dia, fora da janela comercial — que costuma ser o que viabiliza o processo para quem tem plantões, audiências ou uma agenda fechada durante o expediente.
Sobre sigilo: você conta o que for necessário para o trabalho clínico, e nomes ou informações identificáveis não são necessários. O sigilo profissional está previsto no Código de Ética Profissional do psicólogo e se aplica integralmente. Para quem ocupa posições visíveis, o atendimento on-line acrescenta uma camada prática: não há sala de espera, nem deslocamento até um consultório, nem a chance de ser visto entrando nele.
Dúvidas
O primeiro passo é uma conversa pelo WhatsApp. Você não precisa chegar com a questão organizada — organizar faz parte do trabalho.
Agendar bate-papoVeja também: guia de Terapia do Esquema · dependência emocional · onde atendemos
Conteúdo informativo, escrito e revisado por psicólogos clínicos. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. Em caso de crise, procure atendimento imediato: CVV 188 ou SAMU 192. Alexandre Oliveira — CRP 01/27421 · Bruna Alencar — CRP 01/28939 | CRF-DF 3040.